Onanias, Petrônio e o vento molhadinho

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Conhecia o Petrônio de nome, fama, foto e arte. Seus bonecos e bichos de madeira são impressionantes, porque revelam uma naturalidade da natureza repetindo a vida em forma de arte. Onanias, o jovem boneco da foto acima feita pela minha amiga querida, Evelyn Müller, do projeto Sertões, estava lá no meio do campo. Integrado ao cenário do sertão. Seco, seco, seco. Tão seco que dói. Pela beleza daquele extremo e pelo sofrimento também do extremo. Fiquei apaixonada pelo rapaz. Catei-o no colo e, sem jeito, perguntei: “está à venda?”

Acho que Petrônio ficou com dó de mim. Fiz cara de criança com fome de doce. Cara de pedinte. De coitada. Também, não era para menos. Viajei mais de 600 quilômetros comendo terra e quando cheguei na Ilha do Ferro, Alagoas, terra do bordado Boa Noite e dos bonecos feitos de madeira em forma de natureza, os artesão repetiram em uníssono. “Ah, vendi tudo. A Rede Globo mandou uma carreta e foi comprando tudo…”

Palmas para a Globo que está valorizando a arte popular brasileira. Vaias para mim, que preciso aprender a ligar antes de aparecer.

Mas voltando ao Petrônio, ele foi generoso. Muito generoso comigo. Aceitou vender seu amigo Onanias, que agora desfilará sua pinta pela Ninoca. Ele vai, enfim, conhecer o mar e o vento salgadinho. Vai trocar o calor seco, seco, do sertão, pela brisa molhada do litoral. Espero que ele goste e não morra de saudades do Petrônio e do São Francisco.

 

 

 

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